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Carta de Ano-Novo


(As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, págs. 413–414.)


O título original em japonês dessa escritura é Mushimoti Gosho. Mushimoti é uma iguaria japonesa feita de arroz cozido. O arroz utilizado para o seu preparo é especial. Depois de cozidos, os grãos são socados até formar uma massa uniforme e grudenta (moti). A palavra mushi significa “cozido a vapor”. Com essa massa envolve-se uma pasta de feijão doce para então preparar os bolinhos de arroz. Esta carta foi escrita por Nitiren Daishonin em gratidão aos oferecimentos que recebera da esposa de Ishikawa Shimbei Yoshisuke. Ele era mais conhecido por Lorde Omosu pelo fato de ocupar o posto de governante da área de Omosu que se situava na planície do Monte Fuji, na atual Província de Shizuoka. Sua esposa era a irmã mais velha de Nanjo Tokimitsu, um dos principais discípulos de Daishonin, e se converteu ao budismo por intermédio de Nikko Shonin. Ela foi louvada pela sua devoção exemplar na prática da fé recebendo de Daishonin o nome de Myoiti-soni, um título que a dignificava como sacerdotisa.

Ela enviou os oferecimentos pela passagem do Ano-Novo, entregando-os para Daishonin que se encontrava em retiro no Monte Minobu. A carta foi datada de 5 de janeiro, mas o ano não foi especificado. Pelo conteúdo de um dos trechos, “O Japão está convidando atualmente o infortúnio de dez mil milhas de distância por ter-se tornado inimigo do Sutra de Lótus”, supõe-se que foi escrita depois da invasão mongol.

No início da carta, Nitiren Daishonin elogia a genuína fé de Myoiti-soni expressada nos sinceros oferecimentos e afirma que ela será recompensada com muita boa sorte e será amada por todos por causa de sua virtude.

O presidente Toda comentou sobre esse trecho quando comemorou a passagem do Ano-Novo de 1948 juntamente com seus companheiros: “Nitiren Daishonin refere-se ao primeiro dia do ano como um início de tudo. O Sol, a Lua e a primavera representam o movimento do Universo, que é uma expressão da benevolência do Buda, que por sua vez é a manifestação da Lei Mística. O Ano-Novo é uma ocasião para lembrar às pessoas o eterno movimento representado pela Lei e pela cadência do Universo. Os festejos de Ano-Novo, portanto, servem para conscientizar o homem desse movimento universal que está impregnado em tudo, cuja existência ele tende a esquecer com o passar dos dias. Quando se despreza e viola os princípios universais, o homem acaba gerando infortúnio e infelicidade. Entretanto, pelo fato de o budismo exposto por Nitiren Daishonin esclarecer a Lei universal, o homem pode aprender que é parte dela e criar o equilíbrio entre sua vida e o movimento do Universo.”

O inferno e o Buda

Nitiren Daishonin ensina neste trecho que tanto o Inferno como o Buda existem em nossa própria vida e não em um lugar distante como é citado nos sutras do ensinos provisórios. É uma referência sintetizada do princípio filosófico chamado “possessão mútua dos Dez Mundos” que explica a inter-relação entre os estados de vida. O Inferno e o Buda, citados por Daishonin, referem-se respectivamente aos estados de Inferno e de Buda.

O princípio da possessão mútua explica que em cada condição de vida coexistem os demais estados na forma latente. Isto significa que os estados de vida não são condições fixas, mas que um estado torna-se mais evidente que o outro de acordo com as influências externas, deixando os demais na condição não-manifesta.

Esse princípio esclarece o importante fato de que todas as pessoas, mesmo aquelas que se encontram predominantemente nos estados mais baixos, estão dotadas com a suprema condição de vida chamada estado de Buda. Em outras palavras, significa que uma pessoa que se encontra na mais terrível condição de vida possui inerentemente a possibilidade de manifestar o potencial do estado de Buda e alcançar a felicidade absoluta.

Como exemplo de uma vida no estado de Inferno, Daishonin cita o ato de uma pessoa que “insulta seu pai” ou “ridiculariza sua mãe”. Uma pessoa que age dessa forma, com ingratidão e desrespeito aos pais que lhe deram a vida, está destruindo por si mesma a natureza humana e sofrerá ainda mais os efeitos que caracterizam a vida no estado de Inferno.

Para facilitar a compreensão de que o estado de Buda existe no coração das pessoas, Daishonin refere-se ao exemplo da pederneira que é uma pedra duríssima que aparentemente não tem nenhuma relação com o fogo. Porém, serve para acender uma fogueira usando suas faíscas que são provocadas pelo choque de uma pedra contra a outra. Cita também o exemplo da gema bruta que, quando polida, revela seu valor como um precioso tesouro.

Da mesma forma, o estado de Buda inerente em nós pode ser evidenciado por meio da prática do Gongyo e do Daimoku e da firme fé no Gohonzon. Entretanto, conforme a citação de que os seres humanos não conseguem enxergar suas sobrancelhas nem o céu distante, não conseguem também tomar consciência de que a natureza de Buda existe em sua vida. Como um espelho para refletir e conscientizar os homens dessa verdade, Nitiren Daishonin revelou o Gohonzon que constitui um dos Três Grandes Ensinos Fundamentais.

A desgraça vem da boca

Nitiren Daishonin faz uma analogia entre o corpo humano — cheio de impurezas como os três venenos de avareza, ira e estupidez — e a origem do lótus, do sândalo, da cerejeira e da lua. Da mesma forma como a pura flor de lótus surge do pântano, ou a fragrância do sândalo vem da terra, ou as belas flores de cerejeira vêm do caule enrugado, o estado de Buda surge do corpo impuro dos mortais comuns. Por outro lado, o exemplo de Yang Kuei-fei, que de filha de uma serviçal tornou-se uma bela rainha, ilustra que o estado de Buda não depende da posição social de uma pessoa.

A uma grande distância, a lua parece nascer detrás das montanhas para iluminá-las. Isso significa que o estado de Buda surge do corpo de mortal comum para iluminar as virtudes mais nobres do ser humano.

A frase seguinte fala de forma prática sobre o procedimento com que as pessoas criam as causas positivas ou negativas em sua vida por meio dos três atos: pela expressão das palavras, do pensamento e das ações. A mente ou o pensamento é o ato principal, mas ele se manifesta por meio das palavras e das ações. De toda a forma, o infortúnio e a felicidade originam-se antes de mais nada da mente (determinação) de uma pessoa. As ações invisíveis na mente de uma pessoa acabam gerando efeitos visíveis em sua própria vida tanto para o bem como para o mal.

Nitiren Daishonin elogia novamente neste trecho a sinceridade com que a esposa do Lorde Omosu enviou os oferecimentos em comemoração da passagem do Ano-Novo. Faz também uma comparação entre as pessoas que acreditam no Sutra de Lótus e convidam “a felicidade de dez mil milhas de distância” e aquelas que agem como inimigas e atraem “o infortúnio de mil milhas de distância”. O infortúnio citado por Daishonin nesta frase refere-se de forma específica à invasão mongol que atacou o Japão em duas ocasiões, em 1274 e 1281.

As pessoas que acreditam no Gohonzon podem criar um curso de vida em direção à felicidade mesmo que as condições circunstanciais sejam extremamente adversas, da mesma forma como o sândalo mantém sua fragrância independentemente do lugar onde cresce.

TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 389, PÁG. 4, JANEIRO DE 2001.

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