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Estado de IRA

Ira ( Shura ) é o quarto mais baixo estado de vida. Quando combinado com Inferno, Fome e Animalidade são chamados de quatro maus caminhos, porque são essencialmente estados de vida de infelicidade. Embora o mundo de Ira esteja associado com os primeiros três mundos, há uma considerável diferença entre o Estado de Ira e as condições mais baixas de vida.

No Estado de Ira, as pessoas possuem consciência de seus atos. Nas condições de vida mais baixas, as pessoas são controladas completamente por seus desejos. Elas não possuem nenhum controle sobre suas vidas. Neste estado, contudo, os indivíduos possuem a habilidade de tomar decisões concientes, mesmo baseadas em pontos de vista distorcidos do que é certo ou errado. Enquanto estiverem no mundo da Ira, as pessoas não pensam em outras a não ser nelas própias. Elas colocam como prioridade máxima o seu própio benefício ou promovem seus pontos de vista. Neste estado baseado no egoísmo as pessoas possuem o constante desejo de derrubar as outras, para colocarem-se numa posição superior ou mais favorável do que aquelas ao seu redor. A Ira manifesta-se como inveja, ódio e adulação. Aqueles que odeiam outros simplesmente porque são de uma raça ou religião diferente estão sofrendo no mundo da Ira. Quando as pessoas neste estado de vida encontram alguém melhor do que elas, a inveja e o ódio manifestam-se, transformando-se em ira e estimulando-as a atacar outras pessoas. Pensando somente em si mesmas, essas pessoas, se não conseguirem vencer seus oponentes as humilharão para adular e favorecer seu status.

No Budismo existe o conceito das catorze calúnias ou atitudes que os seguidores do Verdadeiro Budismo devem evitar. Incluídos neste estão o ódio, a inveja e o ato de sustentar o rancor, todos estes, contidos no Estado de Ira. O Gosho declara: “No primeiro volume do Maka Shikan lê-se: ‘Aquele que vive no mundo da Ira, motivado pelo desejo incontrolável de ser superior a outros está subestimando outras e exaltando a si mesmo. Ele é como um falcão rasgando o céu a procura de uma presa. Ele pode mostrar aparentemente grande benevolência, justiça, boa conduta, sabedoria, boa fé e possuir um senso moral elementar, porém o seu coração permanece no mundo da Ira ’ ( Gosho Zenshu, p.430 )”. Em outras palavras, as pessoas no mundo da Ira farão o que acharem necessário para seguirem adiante, mesmo agindo gentil e sinceramente. Mas seu verdadeiro eu é controlado pela presunção e desejos própios. Ao contrário da Fome, estes desejos são muito mais humanos do que instintivos. Os desejos instintivos que têm sido cumpridos, os quais dão origem aos desejos egoísticos de asserção e busca de outras vaidades transitórias. Ao discutirmos sobre o Mundo de Inferno ( Terceira Civilização, outubro, 1989), foi mencionado que o Estado de Inferno é caracterizado por uma “ira incontrolável e inextingüível.” A ira do Estado de Inferno, entretanto, está em um nível mais profundo do que a auto-consciência. É algo que submerge das profundezas da vida. Além disso, a medida que afeta coisas externas a si - ou seja, destruindo outras - sua natureza conduz os indivíduos por si mesmos, a ruína. A vida no Estado de Inferno não possui liberdade ou força para atacar outras pessoas, ao contrário do estado de Ira. Nitiren Daishonin afirma: “ Ser perverso é ira” (END. I, pág. 57 ). Perversidade aqui indica como o egocentrismo pode distorcer o ponto de vista da realidade das pessoas. Elas não podem ver as coisas logicamente. Elas procuram ver do modo que desejam ver, distorcendo os fatos, incapazes de distingüir o bem do mal. Não possuem também considerações para com outras pessoas.

Shura é a palavra japonesa correpondente a Ira e é uma abreviação de ashura, que na mitologia Indiana, eram demônios que lutaram constantemente com o Deus Budista Taishaku. Os deuses celestiais, encontram prazer em fazer o bem, mas os ashuras deleitam-se com o mal. As aparências de ashura são feias, porque eles mantém o odio com relação aos deuses celestiais. Nitiren Daishonin refere-se a essa parábola sobre tal ser celestial. Ele escreve, “ O arrogante sem dúvida, temerá um forte inimigo. Por exemplo, o insolente Shura, quando reprovado por Taishaku, encolheu-se e escondeu-se em uma flor de lótus num lago frio” (END - I, pág. 197). Uma versão da história diz que a filha de Ashura casou-se com o Deus Taishaku mas tornou-se extremamente ciumenta. Ela influenciou seu pai e este tornou-se enraivecido. Por sua vez, o pai induziu seus soldados que atacaram os homens da Taishaku. Seu ódio, fez-lhe sentir grande como um gigante. Mas quando confrontado por Taishaku, Ashura ficou amedrontado, encolhendo de medo e então fugiu. Tão diminuto ficou que escondeu-se numa pequena flor de lótus. Esta parábola ilustra como as pessoas no mundo de Ira freqüentemente sentem-se superior e melhor do que as outras. Porém, quando confrontadas por alguém realmente superior, elas pensam somente em si mesmas e tornam-se covardes. As pessoas no estado de Ira possuem uma condição de vida limitada e miserável.

A Ira é uma baixa condição de vida, mas quando baseada na compaixão ou senso de justiça, pode ser usada como uma força positiva. Nossa ira, por exemplo, pode ser a causa para lutarmos contra as injustiças no mundo ou trabalhar por uma boa causa. Além disso, o desejo de não ser vencido pode conduzir-nos a aperfeiçoar a nós mesmos. Por exemplo, se um time de baseball é derrotado pelo rival, uma reação benéfica seria dizer: “ Nós perdemos porque ainda estamos fracos. Vamos praticar mais e melhorar para que possamos vencer na próxima vez”. Mas se o time retorna para casa com um sentimento de resignação, lamentando: “ Nós estivemos terrível. Não há modo de podermos vencer “, o resultado será completamente diferente. Quando algo acontece devemos olhar para nós mesmos ao invés de culpar os outros ou nutrir ressentimentos e ódio. Por outro lado, não haverá um fim para o conflito. Além disso, se a ira escapa de nosso controle, podemos ferir outras pessoas bem como a nós mesmos. A ira em um nível mais amplo é a causa do mais bárbaro ato - a guerra. A menos que substituamos este baixo estado de vida pela verdadeira consideração para com outros, não seremos capazes de libertar este mundo de conflitos. O Presidente Ikeda tem dito que para estabelecer a paz devemos “ construir uma fortaleza de paz dentro do coração de cada indivíduo”. Somente quando as pessoas do mundo todo forem capazes de mudar o ódio e o conflito dentro de suas vidas, com um sentimento de preocupar-se com as outras, o desejo pela paz mundial tornar-se-á realidade. Portanto, devemos continuar a luta pelo Kossen-rufu, propagando amplamente o Verdadeiro Budismo. Então, as pessoas do mundo podem fortalecer o seu Estado de Buda e serem capazes de direcionar a sua ira construtivamente.
Fonte T. C. nº 258 pág. 40 a 42 de 2/90

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