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Kenzoku (“relação compartilhada”)


BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1854, PÁG. A7, 05 DE AGOSTO DE 2006.

Qual é o significado de Kenzoku?

Kenzoku significa “relação compartilhada” e explica que a razão de nascermos em uma determinada família, sociedade ou país se deve ao fato de termos cultivado com as pessoas que a compõem uma relação no passado. Essa “relação compartilhada” é classificada também como um dos Dez Princípios Místicos do ensino teórico estabelecidos por Tient’ai para interpretar a palavra myo de Myoho-rengue-kyo e denominado kenzokumyo, ou “princípio místico do relacionamento”. Este elucida a relação criada com o budismo, com Nitiren Daishonin e com o mestre também no remoto passado, o que nos possibilitou nascer nesta época como praticantes da Lei Mística para propagá-la pelo bem de toda a humanidade. Por exemplo, Nitiren Daishonin afirma que o fato de as pessoas terem nascido naquela época turbulenta como seus seguidores e enfrentarem, junto com ele, severas perseguições era porque havia uma profunda relação formada no passado.

No escrito “A Herança da Suprema Lei da Vida”, Daishonin escreveu: “Devem ter sido os laços cármicos do distante passado que fizeram com que o senhor se tornasse meu discípulo em uma época como esta. Sakyamuni e Muitos Tesouros (Taho) com certeza atestam esse fato. A declaração do sutra de que ‘As pessoas que ouviram a Lei habitaram vários lugares, várias terras do Buda, e constantemente renasceram em companhia de seus mestres’, não pode, de maneira alguma, ser falsa”. (Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. III, pág. 178.) Compartilhar uma profunda relação com a Lei e com o mestre é o verdadeiro significado de kenzokumyo. Myo significa místico, ou seja, que está além de nossa compreensão.

Por estar além de nossa compreensão, é extremamente complexo entender que o fato de convivermos com determinadas pessoas é porque há, realmente, uma relação cámica de nossa vida com a delas, criada no passado e manifestada no presente. Como dito, para tudo na vida existe uma causa que gera um efeito. Nada é por acaso. Tudo é causa e efeito, inclusive as pessoas com quem convivemos. O fato de termos nascido, por exemplo, em uma determinada família é porque possuímos as mesmas causas que as demais pessoas que também pertencem a ela. E se possuímos as mesmas causas, os efeitos também são compartilhados. Quando reconhecemos isso, compreendemos a razão dos sofrimentos, das alegrias, das dificuldades, enfim, dos acontecimentos que envolvem a família. Nesse sentido, quando a família está em crise, se uma única pessoa decidir transformar a situação, todos também compartilham dessa mudança. Aqui se encontra a importância de uma única pessoa.

Em certa ocasião, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, explicou esse princípio por meio de um exemplo: se o pai obtém sucesso em seus empreendimentos, todos os seus kenzoku, ou seja, seus familiares, também compartilham disso e prosperam. Por outro lado, se ele não possui boa sorte e seus negócios acabam falindo, todo o seu grupo familiar experimentará a infelicidade.

Assim, compartilhar das mesmas causas significa que, quando uma pessoa faz algo positivo ou negativo, os efeitos são experimentados por todos de seu convívio. Dessa forma, não é à toa que as pessoas nascem num mesmo local, pois elas possuem uma relação com todos que vivem nele.

Poderíamos também interpretar kenzoku como a missão dos Bodhisattvas da Terra que compartilham a mesma missão de conduzir as pessoas ao supremo caminho da felicidade com base na Lei Mística.


Conforme o “princípio místico de relacionamento” (kenzoku-myo), como devo cumprir a minha missão em perfeita união com as pessoas com quem me relaciono?


No budismo, os laços de pais e filhos, irmãos e irmãs, ou marido e mulher são formados pelo carma, criado em existências passadas. Não é por acaso que pertencemos a uma mesma família e nos relacionamos com determinadas pessoas. Portanto, em vez de ficarmos acusando um ao outro como o causador das dificuldades, devemos nos ajudar e nos encorajar.

No escrito “Carta aos Irmãos”, Nitiren Daishonin exemplifica essa relação ao afirmar: “Quando seu marido é feliz, a esposa será realizada. Se seu marido é um ladrão, ela se tornará uma ladra também”. (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. I, pág. 241.) Muitos poderão discordar, replicando que a mulher tem uma identidade separada do marido. Porém, observando o trecho anterior desse escrito: “Se um dos senhores desistir no meio do caminho, ambos falharão em alcançar o estado de Buda” (ibidem), podemos compreender o real significado desta afirmação de Daishonin.

Fundamentalmente, nossa felicidade ou iluminação depende unicamente de nossos esforços e não das ações de outras pessoas. Porém, quando compartilhamos uma relação próxima ou um compromisso com outra pessoa, nossa vida torna-se ligada à dela e, nesse sentido, não podemos estar completamente satisfeitos se ele ou ela estiver infeliz. Mesmo que uma mulher seja feliz individualmente, se o marido a quem ama estiver sofrendo ela se sentirá insatisfeita. Por essa razão, ela deve apoiar os esforços do marido para tornar-se feliz. E, naturalmente, este mesmo raciocínio mantém-se verdadeiro na atitude de um marido em relação à sua esposa.

Praticamos o budismo para beneficiar não só a nós mesmos, como todos ao nosso redor e, em um sentido mais amplo, toda a humanidade. Nós, que abraçamos a Lei Mística, somos fundamentalmente nobres Bodhisattvas da Terra. Somos companheiros que prometemos, juntos, na Cerimônia no Ar, realizar o Kossen-rufu.

É essa missão em comum que nos une, nos faz transcender as diferenças, nos aproxima e nos permite conquistar a felicidade.

O importante é realizarmos uma prática para compreender a cada momento a nossa missão naquele local ou com aquelas pessoas, percebendo que a existência do outro, algumas vezes, parece ser um “problema”, mas é a oportunidade de transformarmos as causas negativas que criamos ao longo de várias existências.

O nosso ambiente é como um espelho que reflete a essência de nossa própria vida, mostrando claramente aquilo que precisamos mudar.

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, observou certa vez que percebe constantemente, mesmo no caso de simpatizantes, pessoas que tiveram problemas com doenças ensinarem o budismo para outras nas mesmas condições. Segundo ele, perante o Gohonzon, todas as pessoas são iguais e não há nenhuma distinção. Mas pessoas problemáticas geralmente possuem como kenzoku pessoas igualmente problemáticas e difíceis.

O budismo nos direciona a fazer causas positivas que nos permitem mudar o rumo de nossa vida, podendo compartilhar uma grande transformação com as pessoas à nossa volta.

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