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Busque a honestidade consigo próprio



07 DE MAIO DE 2005 — EDIÇÃO Nº 1794

Busque a honestidade consigo próprio e perceberá que será, via de regra, honesto com os outros


O objetivo principal da nossa fé é despertar-nos para a nossa missão de vida. Praticamos vencendo as dificuldades justamente para chegarmos ao estágio de compreensão de que somos bodhisattvas.

Mas pela secularidade de nosso cotidiano, pela correria em busca da sobrevivência e da urgência de se adequar a novos parâmetros sociais, acabamos nos tornando hipócritas [Vício que consiste em aparentar uma virtude, um sentimento que não se tem.
Fingimento, falsidade.]
em relação a essa questão essencial para nossa vida. E o significado mais adequado aqui, para hipocrisia é “falsa devoção”. Obviamente, e registre-se aqui, esse comportamento tem níveis e situações diferentes de pessoa para pessoa. Vejamos dois exemplos:

Uma pessoa encarregada de palestrar numa atividade, mas que não se prepara de acordo com a realidade e exigência dessa atividade, pode ser considerada hipócrita. Esse comportamento, se percebido, além do mal-estar, induz ao descomprometimento dos novos líderes.

Em outra situação, um participante que também não se prepara com o espírito de aprender, apenas arrasta-se para a atividade, ou, depois dela, apenas observa e critica os defeitos, também pode ser considerado hipócrita. Esse comportamento gera desarmonia e mal-estar.

Em ambas as situações, mesmo que sejam comportamentos involuntários [não planejou deliberadamente que seria assim], o fato de não ter se preparado pode ser considerado “falsa devoção”. Ou seja, não houve esforço condizente, seja em relação à função, à atividade, mas basicamente, não houve esforço em relação às pessoas. Nesse sentido, o espírito de procura, base da prática budista na SGI, foi relegado a um segundo plano e restou um comportamento de pouco valor.

E há três aspectos nisso: (1) Há um limite pessoal que precisa ser orientado minuciosamente por um veterano que enxergue essa deficiência e tenha paciência de “criar esse valor”; (2) Já é veterano, mas tem esse comportamento involuntário, e repete isso com constância como que “anestesiado” pela rotina; ou, (3) O faz consciente, ou seja, sabe que é um comportamento negativo, entende que seria importante mudá-lo, mas não consegue vencer esse cotidiano.

Um como resultado do outro, em sendo hipócritas — pessoas de falsa devoção — é mais do que natural que, mesmo praticando este maravilhoso ensino e tendo o grande mestre que temos, as realizações da vida dessas pessoas tornem-se medíocres [adj. Que está entre o grande e o pequeno, o bom e o mau: obra medíocre.
S.m. Aquele que é medíocre, aquele que não tem grande valor intelectual.

]. E o significado mais adequado aqui para mediocridade é “sem mérito”.

Tanto “hipocrisia” como “mediocridade”, embora soe pejorativo, podem ser resultados da anestesia geral a que estamos sujeitos diante de tamanho bombardeio de superficialidades da sociedade secular, maculada por filosofias e ideologias que não contemplam a grandiosidade do ser humano. Tanto o Budismo de Nitiren Daishonin como a SGI existem e fazem sentido quando conseguem fazer entender essa realidade humana e mudar esse comportamento.

Foi para prover o entendimento da magnanimidade da vida que Nitiren Daishonin quase foi decapitado, o presidente Makiguti morreu na prisão, e por pouco a vida do presidente Toda não tem o mesmo desfecho. Foi por prover esse entendimento que a Soka Gakkai, sob a liderança do presidente Ikeda, tornou-se a maior e a mais rápida em crescimento da história da humanidade. Por enxergar e “curar” essa artificialidade que a vida adota diante dos problemas, tanto o presidente Toda como o presidente Ikeda imprimiram um ritmo de avanço em que um ano equivale a cem anos no processo de expansão do budismo por meio das atividades da Soka Gakkai.

Portanto, companheiros, conseguir enxergar quando o nosso comportamento é hipócrita, e que, portanto, nossos resultados serão medíocres, é, na verdade, um grande benefício. Se depois disso ainda conseguirmos mudar o comportamento, estaremos de fato, criando, segundo a causa do avanço incondicional pela prática da fé — e esse é o verdadeiro aspecto da Soka Gakkai, a vitória contínua porque é na vitória que está a felicidade. “Quando perdem, as pessoas ficam melancólicas e depressivas. Elas lamentam, ficam tristes e compassivas. É por isso que devemos vencer. A felicidade se encontra na vitória.” (Brasil Seikyo, edição no 1.239, 28 de agosto de 1993, pág. 3.)

Numa ocasião o presidente Ikeda observou aguçadamente essa realidade humana: “O segredo para revitalizar todas as coisas está em quebrar a concha da indolência, na qual tentamos descansar confortavelmente no presente, e prestar atenção, no lugar disso, ao ritmo de mudança que bate interiormente.” (Ibidem, edição no 1.280, 16 de julho de 1994, pág. 5.) “Uma vida sem disciplina é uma vida de auto-indulgência ociosa. Uma vida sem uma vontade disciplinada, no final, provará ser uma vida de fracasso.” (Ibidem, edição no 1.325, 24 de junho de 1995, pág. 3.)

E sobre a hipocrisia, base da derrota, o presidente Ikeda assim se refere: “Uma pessoa que falha em lutar nos momentos cruciais é hipócrita e covarde. O estado de Buda não se manifesta nesse tipo de pessoa; neste caso, só existe o estado de Inferno.” (Ibidem, edição no 1.284, 13 de agosto de 1994, pág. 4.) E para os líderes ele adverte rigorosamente: “E quanto aos dirigentes hipócritas, que tentam aparecer sozinhos enquanto falham em fazer sinceros esforços e sendo dominados por sua própria natureza preguiçosa, pode-se dizer que as causas e os efeitos do inferno já existem em seu coração.” (Ibidem, edição no 1.283, 6 de agosto de 1994, pág. 5.)

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